Produtos saudáveis estão mais presentes na cesta dos brasileiros

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Se até pouco tempo eles eram considerados uma tendência hoje já se tornaram hábitos de consumo. Cada vez mais presentes na cesta de compras do brasileiro, os alimentos saudáveis e funcionais vem ganhando mais espaço no atacado e no varejo. O portal do Comércio New Trade, fez uma matéria sobre isso e a gente compartilha com você.

A razão para todo esse sucesso é a maior preocupação das pessoas com a saúde e com o que ingerem. A adoção de um estilo de vida mais saudável está se refletindo nas escolhas que o consumidor faz na frente da gôndola.

De acordo com Rafaela Fornitani, executiva de Marketing da Kantar WordPanel, no último ano, 27% dos lares declararam ter feito algum tipo de mudança na alimentação e o crescimento desse público traz amplas oportunidades para empresas e produtos com foco em saúde. “A saudabilidade é uma tendência que vem crescendo em todo o mundo e também está presente no Brasil. Dentre as categorias, temos visto produtos zero lactose começando a ganhar força, 20% das famílias já compraram algum produto sem lactose. A categoria de leites sem lactose, por exemplo, cresceu 7,9% em volume e 12,6% em valor em 2018”, comenta Rafaela.

Ainda sobre este mercado, recentemente, a Nielsen divulgou o estudo “Estilos de Vida 2019” e apontou que 57% da população brasileira está mais saudável, reduzindo o consumo de gorduras e sal. A pesquisa ainda mostrou que 73% dos consumidores saudáveis afirmaram que gastariam mais com marcas que se preocupam com o meio ambiente; quanto à saudabilidade, 44% gostariam de ter mais opções de produtos orgânicos; 26% adotaram uma dieta livre de glúten e 15%, sem lactose.

Os produtos saudáveis ainda vêm impulsionando o mercado de Fast-moving consumer goods ou FMCG, uma sigla para identificar produtos de grande consumo. De acordo com a pesquisa da Nielsen  segmento de  FMCG cresceu 12,7% em faturamento no último ano, o que representa 5% do total faturado, com destaque para produtos sem glúten; sem lactose; fresco, natural ou orgânico; diet, light e zero que somaram 61% de importância, contribuindo com 75% do crescimento na categoria de saudáveis.

Para Luigi Bavaresco, gerente de trade da Mãe Terra, a saudabilidade anda cada vez mais ao lado da sustentabilidade e o consumidor exige qualidade, responsabilidade e transparência das empresas. “Esse cenário tem feito todo o mercado se movimentar e vemos novas marcas aparecendo, novos produtos sendo lançados, grandes marcas reformulando seus produtos e lançando versões mais saudáveis, lojas reformulando seus portfólios e formatos, além de grandes indústrias adquirindo marcas mais saudáveis e sustentáveis, como no caso da aquisição da Mãe Terra pela Unilever”, comenta.   Ele ainda destaca que os shoppers estão cada vez mais atentos à composição dos produtos se dizem dispostos a pagar mais por opções mais naturais, mais transparentes e de qualidade.

Essa mudança de comportamento deve-se também à criação de consciência com a alimentação e com o meio ambiente que vem sendo criada pelas pessoas de uma forma geral. “Além disso, temos também um público grande de pessoas celíacas, veganas, diabéticas, com intolerância à lactose que buscam por uma alimentação diferenciada. Dessa forma, as marcas vêm investindo nesse mercado, trazendo novidades com o propósito de oferecer uma alimentação saudável e natural”, ressalta Sandra Bérard, gerente de marketing da Tia Sônia.

E por falar em veganos, o Hélcio Oliveira, diretor presidente da Copra Alimentos destaca que no Brasil já existem sete milhões de veganos em uma população de 30 milhões de vegetarianos, o que representa um crescimento de 75% em relação a 2012.  “O volume de busca do termo vegano aumentou 1.400% no Brasil, segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira. Além disso, existe uma tendência em pesquisa realizada pelo Datafolha realizada em 2017 que a população brasileira gostaria de reduzir o consumo de carnes. Além da redução no consumo de leite/derivados e ovos, incluindo aqueles com algum grau de intolerância à lactose – que já atinge 70% dos adultos brasileiros”, revela Oliveira.

Leque de oportunidades

De snacks a biscoitos, leite, mixes de grãos, cereais, produtos sem glúten e lactose, veganos, entre outros, a indústria vem lançando novos itens a cada dia e abrindo assim novas oportunidades de negócios para todo o mercado de abastecimento até o consumidor final. “Observamos que hoje em dia o shopper quer encontrar opções saudáveis nas lojas de proximidade e alta frequência, assim como no pequeno varejo perto de casa. O papel do canal atacadista distribuidor é fundamental para conseguir implementar a categoria de saudáveis em todos os tamanhos de lojas, aumentando o alcance e presença no dia a dia dos consumidores. Estamos observando que os atacadistas distribuidores que dedicaram parte da equipe para se “especializar” nas marcas e categorias saudáveis estão ganhando maior tração por conseguir padronizar as execuções e ganhar a confiança do pequeno varejo”, diz Bavaresco.

Ele ainda destaca que o fortalecimento do setor de saudáveis no ponto de venda passa por uma clara implementação dentro um único corredor aonde se juntam os segmentos relacionados a saudabilidade. Para ele, isso facilita a identificação da categoria pelo shopper e a navegação entre os diferentes benefícios oferecidos. A definição do corredor de saudáveis perto do FLV (naturalmente relacionado à alimentação saudável) ou na mercearia doce é um bom exemplo de regra de exposição que maximiza o fluxo dentro da loja. “Do lado da indústria é fundamental aprofundar o entendimento do comportamento do shopper que busca saudabilidade, diferenciando as diferentes missões de compra dentro de cada canal (abastecimento / reposição / conveniência / experimentação”, afirma.

Segundo dados do instituto de pesquisa Mintel de 2018, vegetariano é o “claim” (ou promessa) mais buscado pelos consumidores de produtos saudáveis, logo produtos que se declaram vegetarianos ou veganos devem ter espaço na gôndola. “Há a necessidade de atenção especial para grupos específicos também como os celíacos que buscam produtos sem glúten, área específica sem soja, sem leite, sem ovos, sem açúcar, etc. O canal atacadista ainda pode aproveitar muitas oportunidades para crescer junto à essa demanda dos consumidores, ofertando aos lojistas um mix maior e de qualidade de produtos saudáveis, que irá atender as necessidades específicas desse público”, ressalta David Oliveira, diretor de marketing da Superbom. Ele ainda destaca que para atender à essa demanda crescente, é importante criar áreas específicas mais adequadas para a exposição de alimentos saudáveis. “A indústria pode trabalhar com ações de engajamento fora do PDV para gerar credibilidade à marca e ao produto, no PDV sempre é importante ações de degustação, especialmente quando o produto é muito novo, muito fora da curva aos olhos do consumidor”, orienta.

Fonte: New Trade


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